Os arranjos clássicos de separação de poderes – como a tripartição de Montesquieu e os freios e contrapesos de Madison – perpetuam impasses e marginalizam as expectativas de reformas estruturais. O próprio Judiciário se apresenta cotidianamente mais como um protagonista da trama política do que como guardião contramajoritário da institucionalidade e dos direitos. As velhas fórmulas de uma democracia liberal restringida estão em crise, enquanto a insatisfação popular se radicaliza e tende mundo afora a sagrar novos populismos autoritários, elegendo ou aclamando os farsescos Mussolinis do século XXI. Mas, afinal, como dosar os riscos e desestabilizações que a democracia deve impor para desbaratar interesses poderosos, em vez de ser por eles capturada? Como combinar participação popular com a institucionalização de um nível de confiança saudável nas instituições representativas e judiciais? O que foram as assembleias de Atenas e o que pode ser a democracia na era da inteligência artificial?
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